PARA REFLETIR

Delegar à escola a educação dos filhos?

Entre vários filhos, cada um é único na sua existência. Os pais precisam respeitar suas individualidades, seus nomes, pois cada filho construirá a sua própria história para honrar o sobrenome, ainda que viva as mesmas situações.

O que de melhor as escolas, podem fazer aos seus alunos é capacitá-los coletivamente para a excelência profissional e não aceitarem o que seus alunos não devem fazer futuramente fora delas.

A cada uma, família e escola, cabe cumprir a parte que lhe compete, mesmo que possa haver algumas áreas de confluência e superposições, pois para a escola, seus alunos são transeuntes curriculares; para os pais, seus filhos são para sempre.

 

Pais e escola sob o comando dos filhos 

    Há pais que, por pagar a escola, acham que ela é responsável pela educação dos filhos. Quando a escola reclama de mau comportamento ou da indisciplina do aluno, os pais jogam a responsabilidade sobre a própria escola. “Já trabalhamos tanto, ficamos

tão pouco tempo com os nossos filhos que não há horário para educá - los.” Usando esta desculpa como argumento, os pais deseducam os filhos, pois, durante os momentos de convivência, deixam - nos fazer tudo o querem e não lhes fazem nenhuma cobrança.

    Não se pode fazer tudo o que se quer, pois a vontade tem que ser educada. O que seria do trânsito, da sala de aula, dos clubes, dos aeroportos, do país se cada um fizesse o que tivesse vontade? Seria o caos. As regras existem para o benefício de

todos, e a disciplina faz parte da educação de uma sociedade. Os pais se unem aos filhos para reclamar da escola. É mais fácil e cômodo

juntar-se ao reclamante do que fazê-lo ver o quanto ele pode estar enganado. O motivo dessa união é defender o filho a qualquer custo, mesmo que ele esteja errado. Se a escola pune, alegando que o aluno transgrediu tal regra, o filho geralmente conta a sua própria versão em casa. Nem sempre essa versão é verdadeira. Geralmente, ela serve ao filho para se proteger dos pais e manipulá-los contra a escola, fazendo-os acreditar que é inocente e que é a escola que está errada.

   O maior erro dos pais não está em querer proteger o filho, mas em não apurar a veracidade dos fatos. É neste gesto simples, mas firme, de procurar saber a verdade, que a ética é passada ao filho. Um filho não respeita pais que sejam manipulados por ele. Não confia em pais que caem na sua conversa, pois podem cair também nas conversas dos outros. Esta é a melhor maneira de perderem a autoridade.

[Todos os pais precisam de autoridad e educacional para preparar bem os filhos para a vida.]

    Pode-se contrariar o filho, mesmo que isso evidencie seu erro e reforce a imagem da escola, pois estar amparado na veracidade dos fatos faz parte da educação saudável: ele tem que aprender que o erro faz parte da vida. Não há pessoas no mundo que não errem. O erro é não aprender com o próprio erro e perder a chance de aprender o certo, o mais adequado, o mais ético. Mais errado ainda é, mesmo sabendo que o filho está errado, os pais aceitá-lo como estivesse certo.

    É importante que os pais consigam passar a ideia de que a vida dos seres humanos está acima dos acertos e erros diários e transitórios. A vida é uma progressão. O indivíduo progressivo não é aquele que não erra, mas aquele que faz do erro um aprendizado, corrige-o e avança. É retrógrado quem se deixa paralisar pelo erro e passa a evitar novas situações para escapar de possíveis erros. Isso significa deixar a vida ser regida pelo erro.

  Um filho tão especial em casa, com um projeto de vida específico, entregue totalmente à indiferença massificante da educação escolar? Não, não podem os pais delegar a educação dos filhos a uma instituição de ensino.

    Percebo não uma falta de amor aos filhos, mas uma orientação desorganizadora, uma apatia e até mesmo uma dose de covardia dos pais que não exigem um mínimo de consideração de seus filhos. Um filho que recebe do bom e do melhor e trata os pais de maneira grosseira, com ofensas, não tem um comportamento ético, pois não está dando aos pais um tratamento tão digno e respeitoso quanto está recebendo. Esses pais, mesmo amando os filhos, estão sendo retrógrados. 

    Raramente os pais expulsam um filho de casa. É mais comum deixar o filho totalmente solto, como que desistindo de educá-lo, porque lhes parece que a educação se transformou numa guerra doméstica. Os pais não podem esperar que a escola funcione como uma clínica

psicológica de recuperação de filhos “que não têm mais jeito”, pois esta função não lhe pertence. O que a escola pode fazer é reunir-se com os pais para encaminhar o aluno a tratamento e jamais compactuar com transgressão, por mais simpático que o aluno seja ou por mais poderosos que os pais sejam.

[Os pais e a escola devem ter princípios muito próximos para benefício do jovem.]

(Içami Tiba, Disciplina: Limite na Medida Certa / Novos Paradigmas)